Quem é Ballesteros?
Há atletas que vencem. E há atletas que mudam o que significa vencer. Severiano Ballesteros está na segunda categoria. Cinco Major championships. Noventa vitórias profissionais. Número 1 mundial. Capitão da equipa europeia que fez história na Ryder Cup de Valderrama em 1997. Os números são notáveis, mas não explicam completamente o que tornava Seve singular. A imaginação.A audácia de encontrar uma jogada onde os outros só viam consequências, de transformar uma posição impossível em algo que prendia a respiração das galerias. Não jogava golfe, conduzia-o, buraco a buraco, perante multidões que apareciam porque genuinamente não sabiam o que ia acontecer a seguir. Ballesteros não se limitou a competir ao mais alto nível. Redefiniu o que esse nível significava.
Como ele projetou os campos
O que torna
Quinta do Vale única
Desenhado ao longo de 75 hectares no Algarve Oriental, onde o terreno desce até às margens do Rio Guadiana e as colinas da Andaluzia emergem na outra margem, a Quinta do Vale é um dos percursos mais cuidados de Ballesteros. Um campo de campeonato de 18 buracos com uma simetria pouco comum, seis par-3, seis par-4, seis par-5, onde o mesmo par nunca aparece em buracos consecutivos. Os primeiros nove acompanham o terreno mais baixo, serpenteando entre lagoas naturais onde a água está sempre presente e a escolha do taco exige ponderação. Os segundos nove sobem pela encosta e abrem-se em vistas panorâmicas sobre o vale e sobre Espanha do outro lado do rio. Mais exposto, mais elevado, mais exigente. Seve quis que cada metade tivesse personalidade própria, e deixou a sua assinatura no sentido mais literal: o buraco 10 tem um bunker em forma de S perfeito, escrito na fairway como só Ballesteros saberia fazer.
Por que os golfistas
o respeitam
Ballesteros faleceu em 2011. Os seus campos permanecem. De Portugal à Escócia, passando por Espanha e Irlanda, os seus campos estão entre os mais bem concebidos do golfe europeu, e a Quinta do Vale faz parte desse legado. Quem já jogou noutros campos de Ballesteros vai reconhecer na Quinta do Vale algo familiar: a sensação de que o campo nos coloca uma pergunta em cada buraco, e que a qualidade da resposta conta. Jogar na Quinta do Vale é muito mais do que passar um dia num campo bem tratado com boa paisagem. É percorrer o terreno que Seve moldou, enfrentar as decisões que ele colocou, e perceber, buraco a buraco, porque é que um golfista do seu calibre escolheu este canto do Algarve para deixar algo que perdurasse.